Wednesday, 28 March 2007

Saudade




O dicionário define como; “espécie de lembrança nostálgica, lembrança carinhosa de um bem especial que está ausente acompanhado de um desejo de revê-lo ou possui-lo.” As pesquisas a apontam como a sétima palavra mais difícil no mundo para se traduzir. Mas parece tão simples! Quando a gente tá longe de casa, a “Saudade” passa a fazer parte do nosso vocabulário diário. Acredite, eu sinto saudade de tudo! Do Brasil, e, agora também de Portugal, das pessoas, dos lugares, da comida (daquele molho de gavião que só a Carminha sabe fazer. E os doces da Marla??? Não tem jeito! Eu já tentei copiar, mas nunca ficam iguais), e até das manias da minha mãe, que adora colocar chifre em cabeça de cavalo.

Semana passada recebi a notícia de que o pai de uma amiga tinha falecido. O cara era mesmo cinco estrelas! De origem humilde, mas muito cult. Passávamos horas a conversar. Se auto intitulava “Luisão Barra Pesada”, e tinha sempre uma resposta na ponta da língua. Ao lembrar dele só tenho mesmo é vontade de rir!

Adorava Gian e Geovane, mas detestava o Zezé di Camargo. Colocou-lhe o apelido de “Galinho Garnizé”, só pra implicar com a Silvana. Era especialista na arte de transformar carne em carvão nos churrasquinhos de domingo. Isso sem falar no ocorrido do banheiro… e das ameixas! Via o DVD da Shanya Twain vezes sem fim, e quando ficava acordado de madrugada, assistia Band-Minas, só pra ver o meu nome passar na televisão, e no outro dia vir me contar todo orgulhoso. Fazia caminhada no Sucupira e levava a tropa toda atrás, nem a cadela podia faltar. Me chamava de “abelha tonta”. Mas mesmo assim eu gostava dele!


Tem pessoas que conseguem encarar a morte com naturalidade, mas eu ainda não faço parte dessa lista. Por quê alguns saem de cena no melhor da festa? Ainda bem que ficam as boas lembranças. E a saudade… muita saudade!!!

Sunday, 25 March 2007

Sou bagunceira sim! E daí?


Hoje tomei uma decisão! Vou ser eternamente bagunceira, e agora com muito orgulho. Depois de passar anos e anos da minha vida escutando: “Podias ser mais organizada! ; No meio essa confusão é impossível achar qualquer coisa! ; Precisa ver o quarto dela!” Resolvi deixar a hipocrisia de lado e me afirmar como uma grande desorganizada, já que por mais que eu tente não consigo ser lá muito diferente. Já fiz de tudo para mudar, mas não consigo, é mais forte que eu! E olha que já tentei inúmeras vezes, mas minhas tentativas são sempre frustradas e nunca duram mais que uma semana. Quem me conhece sabe bem do que estou a falar…

Mas hoje navegando na net, descobri que isso afeta um monte de gente, e que eu não sou uma aberração da natureza, pelo contrário, sou uma pessoa mais que normal. E, toda contente, depois de ler o blog da Tânia Menai (jornalista brasileira que vive em Nova York), publicado em 01/01/2007. No texto, Tânia (Ela não “ainda” não me conhece, mas eu já sou sua amiga de infância. Depois de ser recentemente apresentada por outra grande amiga, Mara Coimbra, virei fã de carteirinha da moça.) fala da matéria: Saying Yes to Mess (ou "Diga sim para a bagunça") publicada no New York Times. “Conta-se que nunca se vendeu tantos produtos de organização de armários e mesas de trabalho. É a eterna busca pela casa arrumada – algo impossível quando a vida não é.”

Tânia se assume uma bagunceira de primeira, e diz que organização a mais é coisa pra quem não tem o que fazer. (Estão vendo porque eu gosto dela???). Concordo em gênero, número e grau, e, assim como ela, acho que as pessoas mais interessantes que já conheci nessa minha curta existência são tão ou mais desorganizados que eu. Olha o Waltinho, por exemplo, já não o vejo há imenso tempo, mas deve continuar o mesmo: O desordeiro mór. Sem falar no meu pai, na Júlia (que quando ler isso vai querer me matar), etc, e é que nem vale a pena estender muita a lista, se não fico aqui até amanhã.

Se você sofre do mesmo problema que eu, não se preocupe. Segundo os pesquisadores ouvidos na matéria do New York Times, apenas um em doze divórcios alegam bagunça como uma das causas de separação. Segundo eles, “mesas bagunçadas são assinaturas vívidas de pessoas com mentes criativas e ágeis. E tem mais; “donos de armários bagunçados são, provavelmente, melhores pais, além de ter a cuca mais fresca do que os engomadinhos, normalmente inflexíveis e com muito tempo de sobra.”. Isso é ou não é uma categoria??? Leu Dona Mara Sofia? (Ai que saudade do Café Sport :( ...)


Sonhando acordada


Londres é mesmo única! A cidade é quase uma “Torre de Babel”. Pelas ruas se misturam línguas, raças e credos, além dos mais diversos padrões, gostos e estilos, uma diversidade cultural sem tamanho. A confusão é geral, mas no meio da bagunça todo mundo se entende. Não me pergunte como!

Chamar a atenção nesse formigueiro humano é quase impossível. Todo mundo passa a ser deliciosamente anônimo. Não tem ninguém preocupado com a sua cor de cabelo, a marca da sua roupa, se a bolsa condiz com o sapato, e muito menos qual é a língua que você fala. Cada um segue a sua vida - sempre na correria do metrô ( que é o meio de transporte mais utilizado da cidade) - sem se preocupar com o resto.

Mas como não existe nada impossível nesse mundo, outro dia estava eu a caminho da escola. Eram 14h e a Central Line estava lotada. De repente na estação de Bank entra um grupo de quatro rapazes. Até aí tudo normal. Mas foi só até um deles dar início a primeira frase, e eu não conseguir mais tirar os olhos e os ouvidos dali. Eles falavam espanhol!!! E para quem não sabe, tá aí uma língua em que tenho grande admiração. Não é porque entenda alguma coisa, porque se falarem de pressa não entendo patavinas. Mas pelo charme que só ela tem. Foi como se por alguns momentos estivesse ali ao meu lado o Don Juan, ou melhor ainda, o Gael Garcia Bernal.

Eu já tava quase desistindo da idéia de ser freira. Já ia marcar a passagem com destino a Espanha em busca de um amante latino, quando escuto a gravação: “The next station is Oxford Circus”. Pronto! Fim da linha! De volta a realidade lá fui eu para mais uma aulinha de inglês.
Mas eu ainda vou a Espanha! Ah …vou!!!

Pernas pra que te quero!



Pra que ficar sonhando com um Ferrari? Nada de Lamborghinis,Volvos, Audis, BMWs, e Porsches. O transporte mais “in” do momento é a velha bicicleta. Se locomover sobre duas rodas, além de ser um exercício físico recomendado pelos médicos, é super econômico e pra lá de charmoso.

Em recente passagem pela cidade de Oxford - aquela mesma famosissíma por causa de seus colleges e da renomada Oxford University - deu pra perceber que a “magrela” é mesmo mania por essas bandas. Ela aparece nos mais diversos modelos. Têm pra mãe que quer levar o filho a tiracolo, para o esportista e até pra aquele que não tá nem aí para o design, o que interessa é que ela ande.

Nas ruas da cidade universitária, ela é presença garantida, e têm adeptos de todas as idades e classes sociais. O importante é ter disposição pra pedalar. E pelo visto disposição é o que não falta… Achar uma vaga para estacionar a sua bike por lá não é das tarefas mais fáceis, os estacionamentos estão sempre lotados! Nem o frio consegue desanimar os ciclistas.

E tem mais… Na cidade ainda deu pra conferir as gravações de “The Oxford Murders”, e ver de pertinho os olhos azuis de Elijah Wood, o Frodo de O Senhor dos Anéis. O filme que tem estréia prevista para 2008, aqui no hemisfério Norte, é um triller baseado no romance premiado de mesmo nome do escritor argentino Guilermo Martinez.

Pessoalmente falando, ainda sou mais o Giannechini! E de preferência sobre quatro rodas, e
o auxílio de um super, hiper, mega ar condicionado.

Saturday, 24 March 2007

Ser Single



Elas estão por todos os lados. Em 100% das revistas femininas vendidas ali na banca da esquina, nos jornais, outdoors e até na publicidade dentro do metrô. São um fenômeno mundial, e, pelo visto fazem mais sucesso que balde de pipoca em dia de estréia no cinema. Tratam-se das famosíssimas receitas para arranjar um “namorado”. Têm para todos os tipos e gostos, com dicas, truques e sugestões para não deixar o “rapazinho” escapar. E se a situação for mesmo crítica, pode-se até apelar para as agências de namoro que se procriam a cada dia, isso sem falar nos chats da net, com as suas salas sempre lotadas.

Será que optar por ficar sozinha é assim tão estranho? Não ter namorado é sinônimo de infelicidade? A sociedade pré estabeleceu que a vida tem que ser vivida aos pares e parece que fugir a regra é mesmo coisa de anormal. Como já estou há algum tempo longe do Brasil, tem um monte de gente de que não tenho notícias há meses e quando encontro com elas no MSN sempre a primeira pergunta é: “E aí! Tá namorando?”, para os mais chegados a versão é um pouco melhor: “E então Lelê! Tá pegando alguma coisa diferente?” Quando digo que não, ficam todos desolados, tentando achar uma explicação para a minha solteirice.

Dia desses, até meu pai. Prestem atenção!!! Meu PAI! No meio de uma conversa, em que eu contava que dois amigos meus, a Mara e o Chipa (que por acaso são as pessoas com quem moro agora em Londres) começaram a namorar na minha festa de despedida (quando embarquei para Portugal), veio com o papo de que eu arrumo namorado pra toda a gente menos pra mim. Que sou muito exigente e vou ficar para a tia. A minha mãe, coitada, não diz nada, mas no fundo morre de medo que isso aconteça. A minha irmã tem outra teoria, diz que sou muito antipática e é por isso que não arrumo nada. Até parece que estou escutando o Vanô, e sua célebre frase: “Quem muito escolhe, acaba escolhida!”, repetida desde que eu tinha meus 15 anos lá em Cláudio. É aí que contra-ataco com a minha já famosa, “Vou ser freira.”, ou então com a mais recente aquisição: “Não quero me prender a nada e nem a ninguém.”

Já que ser uma pessoa avulsa requer constantes explicações, aí vão elas: Não foi porque levei um pé na bunda e jurei nunca mais arrumar ninguém, ou porque algum dia tenha sofrido uma grande desilusão amorosa e tenho medo de me envolver de novo. Também não é porque não tenha nenhum pretendente. Não costuma cair grandes tempestades na minha horta, mas de vez em quando ainda aparece qualquer coisinha. A verdade é que no momento, tenho outras prioridades, mais com o que me preocupar, e, um monte de coisas para fazer. Um relacionamento implica “ceder” e ando numa fase meio egoísta pra abrir mão do que quer que seja em prol de outro. Pra já outra pessoa só viria atrapalhar.

Por isso, estou sozinha, sim! Mas muitíssimo bem! Afinal, antes só que mal acompanhada!

Thursday, 22 March 2007

Cai na Rede


Essa que vos fala é Alessandra Frenkiel. Jornalista de formação e maluca por natureza. Há um ano e meio atrás sai do Brasil rumo a Portugal. Aterrissei em solo lusitano com o objetivo de cursar um mestrado, que por sinal já abandonei. Na terrinha muita coisa se passou…Conheci pessoas pra lá de especiais e já fiz coisas que até Deus duvida. Fui até dona e proprietária de um café!!!

Agora em Londres - eu e o meu inglês “meia boca”, como diria o Luisão Barra Pesada - passo a vida a chatear a Mara e o Chipa, que têm que me aguentar de noite e de dia. E não é preciso ser nenhuma Mãe Dinah, o mediático Walter Mercado e ainda o poderoso professor Bambo para saber que as manotas ou as figuras de urso, como preferir, continuam uma constante. Por isso decidi criar esse blog, para partilhar com literalmente “toda a gente” as minhas historias.

PS* Tenho que admitir uma coisa. Vi o blog do Chipa e do Bruno, achei chiquérrimo, fiquei com inveja e copiei! I’m so sorry!!!!