Saturday, 24 March 2007

Ser Single



Elas estão por todos os lados. Em 100% das revistas femininas vendidas ali na banca da esquina, nos jornais, outdoors e até na publicidade dentro do metrô. São um fenômeno mundial, e, pelo visto fazem mais sucesso que balde de pipoca em dia de estréia no cinema. Tratam-se das famosíssimas receitas para arranjar um “namorado”. Têm para todos os tipos e gostos, com dicas, truques e sugestões para não deixar o “rapazinho” escapar. E se a situação for mesmo crítica, pode-se até apelar para as agências de namoro que se procriam a cada dia, isso sem falar nos chats da net, com as suas salas sempre lotadas.

Será que optar por ficar sozinha é assim tão estranho? Não ter namorado é sinônimo de infelicidade? A sociedade pré estabeleceu que a vida tem que ser vivida aos pares e parece que fugir a regra é mesmo coisa de anormal. Como já estou há algum tempo longe do Brasil, tem um monte de gente de que não tenho notícias há meses e quando encontro com elas no MSN sempre a primeira pergunta é: “E aí! Tá namorando?”, para os mais chegados a versão é um pouco melhor: “E então Lelê! Tá pegando alguma coisa diferente?” Quando digo que não, ficam todos desolados, tentando achar uma explicação para a minha solteirice.

Dia desses, até meu pai. Prestem atenção!!! Meu PAI! No meio de uma conversa, em que eu contava que dois amigos meus, a Mara e o Chipa (que por acaso são as pessoas com quem moro agora em Londres) começaram a namorar na minha festa de despedida (quando embarquei para Portugal), veio com o papo de que eu arrumo namorado pra toda a gente menos pra mim. Que sou muito exigente e vou ficar para a tia. A minha mãe, coitada, não diz nada, mas no fundo morre de medo que isso aconteça. A minha irmã tem outra teoria, diz que sou muito antipática e é por isso que não arrumo nada. Até parece que estou escutando o Vanô, e sua célebre frase: “Quem muito escolhe, acaba escolhida!”, repetida desde que eu tinha meus 15 anos lá em Cláudio. É aí que contra-ataco com a minha já famosa, “Vou ser freira.”, ou então com a mais recente aquisição: “Não quero me prender a nada e nem a ninguém.”

Já que ser uma pessoa avulsa requer constantes explicações, aí vão elas: Não foi porque levei um pé na bunda e jurei nunca mais arrumar ninguém, ou porque algum dia tenha sofrido uma grande desilusão amorosa e tenho medo de me envolver de novo. Também não é porque não tenha nenhum pretendente. Não costuma cair grandes tempestades na minha horta, mas de vez em quando ainda aparece qualquer coisinha. A verdade é que no momento, tenho outras prioridades, mais com o que me preocupar, e, um monte de coisas para fazer. Um relacionamento implica “ceder” e ando numa fase meio egoísta pra abrir mão do que quer que seja em prol de outro. Pra já outra pessoa só viria atrapalhar.

Por isso, estou sozinha, sim! Mas muitíssimo bem! Afinal, antes só que mal acompanhada!

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